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Eleições 2026: por que o Brasil precisa de uma “Agenda Imprescindível” independente de quem vença

Eleições 2026: por que o Brasil precisa de uma "Agenda Imprescindível" independente de quem vença
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O segundo turno das eleições 2026 chegou ao fim sem que os dois candidatos tivessem comparecido aos debates do primeiro turno ou apresentado planos de governo consistentes. Na avaliação do empresário e investidor Fersen Lambranho, presidente dos conselhos de administração da GP Investimentos e da G2D Investments, ambos os postulantes olharam mais para o passado do que para o futuro, sem oferecer ao eleitor uma perspectiva clara de prosperidade.

Segundo ele, os partidos políticos brasileiros se transformaram em verdadeiros negócios, sustentados por receitas garantidas do fundo partidário e das emendas orçamentárias. Prestam contas à Justiça Eleitoral, mas pouco respondem à sociedade. Nesse cenário, Brasília aparece cercada pela influência de figuras como Daniel Vorcaro que, segundo as investigações em curso, teria se infiltrado nas esferas de poder e tentado corromper parcela relevante dos três poderes da República.

A origem da Agenda Imprescindível para o Brasil

É nesse contexto que ganha força a chamada “Agenda Imprescindível”, desdobramento de um trabalho iniciado em 2022. Naquele ano, o Derrubando Muros — iniciativa da sociedade civil da qual Lambranho participa — apresentou ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva a “Agenda Inadiável”, fruto de um encontro de quatro horas. A proposta nasceu da esperança de um governo de reconstrução nacional, amparado pelo amplo arco democrático que apoiou Lula naquele pleito, reunindo sugestões de especialistas em educação, saúde, segurança pública, economia verde, meio ambiente e clima, indústria do futuro, empreendedorismo, inovação, energia, digital, economia e geopolítica.

No entanto, segundo Lambranho, os últimos quatro anos trouxeram frustração, já que pouco se avançou em áreas críticas dessa agenda original. Houve exceções que ele considera louváveis, como a aprovação do novo modelo tributário, a drástica redução do desmatamento e a saída do país do Mapa da Fome. Diante desse balanço, surgiu a proposta de uma nova rodada de prioridades para 2026 — pontos que, na visão do grupo, não podem mais esperar, diante da urgência de o Brasil acompanhar o século XXI em plena disputa global pela hegemonia da inteligência artificial.

Metas da nova agenda para os próximos anos

Entre as propostas que compõem a Agenda Imprescindível estão, por exemplo, dobrar a renda real dos brasileiros em 15 anos, reduzir em 50% a pobreza até 2035, universalizar a alfabetização plena até os oito anos de idade, eliminar as filas para consultas e exames especializados na saúde e reduzir em 50% os crimes violentos contra a pessoa. A agenda também prevê metas voltadas à própria política e ao futuro do país, como vincular os fundos partidário e eleitoral a critérios públicos de transparência e posicionar o Brasil entre os principais ecossistemas de inteligência artificial até 2035.

Para Lambranho, a pauta dos próximos quatro anos precisa necessariamente passar pela reconstrução das instituições que, em suas palavras, “apodreceram ao vivo pela televisão ou no escurinho dos celulares do Vorcaro” — um processo que, segundo ele, só agora começa a ganhar luz com o avanço das investigações. Ele lembra que, em 2022, a mobilização era para defender a democracia de um eventual autogolpe de Estado; hoje, o desafio é defendê-la das próprias instituições.

“Continuo convicto de que, fora da política, não temos salvação. Continuo convicto de que tanto a separação como a independência dos três poderes são essenciais, assim como o sistema de freios e contrapesos que previne o desequilíbrio entre esses poderes.”

Polarização, redes sociais e o papel da comunicação

Apesar da intensa polarização que ainda divide o país, Lambranho defende que essa divisão deveria ser irrelevante, já que, segundo ele, trata-se de um só povo que deseja o melhor para a nação. Para o autor, pouco importa se o eleitor vestia verde e amarelo para expressar patriotismo, vermelho por acreditar em batalhas fundamentais por justiça e democracia, ou branco (talvez preto) por não se sentir representado por nenhum dos candidatos — depois das eleições, todos formam um único povo em busca de um futuro melhor. Ele destaca ainda que o novo governo, resultado das urnas, terá o apoio de não mais do que metade do eleitorado.

Outro ponto central do texto é o impacto das redes sociais e da inteligência artificial sobre o debate público, que Lambranho considera potencialmente tão catastrófico a ponto de exigir uma revisão de todos os processos democráticos. Segundo ele, a comunicação — base do progresso humano — está hoje truncada e aprisionada. Como exemplo, cita o fato de que o horário eleitoral na TV perdeu relevância diante das redes sociais, mesmo sendo, em sua avaliação, a forma mais igualitária de informação disponível.

Diante disso, o autor levanta uma série de questionamentos sobre o funcionamento do processo eleitoral brasileiro:

  • Não deveria ser obrigatório que candidatos participassem de debates?
  • Não deveria ser proibido fazer cortes de debates de candidatos, ou mesmo de sessões do Congresso, de modo a evitar que esses cortes gerem frases fora de contexto e tornem o debate público manipulável?
  • É razoável fazer eleições majoritárias, ou seja, para cargos no Poder Executivo, junto com as de parlamentares (Poder Legislativo), de modo que a eleição de senadores e deputados deixe de ocupar um posto de irrelevância na cabeça do eleitor?
  • É razoável que empresas privadas estrangeiras decidam que mensagens circulam em um período eleitoral em outro país?

O risco de um Congresso de “influencers”

Para Lambranho, responder a essas perguntas é essencial e urgente para a manutenção do Estado democrático de direito. Ele argumenta que, no fim das contas, a cacofonia das redes sociais acaba tornando o debate público mais raso. Como ilustração, cita que, dos 513 deputados federais eleitos em 2026, 39 têm mais de um milhão de seguidores no Instagram — dado atribuído à Agência Câmara, de 7/10 —, sendo que os dez deputados mais votados estão justamente no topo dessa lista. Nesse ritmo, afirma, em breve todo o Congresso será composto por “influencers”, o que, para ele, não qualifica ninguém para a arte de parlamentar, ouvir e fazer política.

Ainda assim, pesquisas mostram que a população quer liberdade para empreender e prosperar, ao mesmo tempo em que espera do Estado suporte em saúde, educação, segurança e uma rede de proteção aos mais necessitados. Para Lambranho, essa combinação não é exagerada nem inviável — pelo contrário, é totalmente possível desde que haja união nacional em torno de uma agenda comum, como a própria Agenda Imprescindível, com metas claras e mensuráveis.

Um chamado à união, independente do resultado

Retomando um artigo publicado em 30/10/2022, Lambranho reforça que pouco importa quem assumirá a cadeira de presidente em janeiro de 2027, pois, passada a eleição, resta apenas um objetivo comum: trabalhar em conjunto pelo bem do país. Para ele, o único caminho possível é o da política e da capacidade de debater e respeitar a opinião de todos, desde que em concordância com a Constituição e com o respeito ao Estado democrático de direito.

Por fim, o autor expressa o desejo de que o novo governo, seja qual for o vencedor, tenha a capacidade de unir uma nação tão dividida em torno de uma agenda de prosperidade. Como primeiro passo nessa direção, ele sugere um gesto simples, mas simbólico: convidar quem perdeu a eleição para trabalhar junto na construção desse projeto comum para o Brasil.

Com informações de pipelinevalor.globo.com.

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