O banco suíço UBS avalia que o mercado financeiro segue com desconfiança diante de um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que a recuperação da confiança dos investidores depende da apresentação de um ajuste fiscal concreto, com medidas efetivas e viáveis de serem aprovadas pelo Congresso Nacional. Segundo a instituição, os ativos brasileiros podem inclusive devolver parte dos ganhos acumulados recentemente caso esse cenário de incerteza fiscal persista.
Ajuste fiscal é condição para recuperar confiança, diz UBS
De acordo com a análise do banco, não basta sinalizar intenção de equilibrar as contas públicas: é preciso que o governo apresente propostas objetivas e demonstre capacidade política de levá-las adiante no Legislativo. Para o UBS, enquanto isso não ocorrer, o ceticismo em relação à trajetória fiscal brasileira tende a se manter, pesando sobre a precificação de ativos como ações, câmbio e títulos públicos.
Essa percepção cautelosa surge mesmo diante de uma valorização recente registrada pelos ativos nacionais. Ou seja, o banco entende que parte desse movimento positivo pode não se sustentar caso o governo não avance em compromissos fiscais mais claros, o que configura um risco relevante para quem já está posicionado no mercado brasileiro.
Risco de reversão nos ganhos recentes
O relatório do UBS destaca que o otimismo observado em certos momentos no mercado brasileiro pode ser revertido caso não venham sinais concretos de disciplina fiscal. Por isso, o banco reforça que a continuidade da valorização dos ativos está diretamente condicionada à entrega de resultados práticos, e não apenas a discursos ou expectativas políticas.
Essa avaliação reflete um padrão recorrente entre investidores internacionais: a cautela em relação a economias emergentes costuma aumentar quando há incerteza sobre a capacidade de um governo equilibrar gastos e receitas. No caso brasileiro, segundo o UBS, essa incerteza está associada diretamente ao cenário eleitoral e à perspectiva de continuidade ou mudança na condução da política econômica.
Capacidade de aprovação no Congresso é fator-chave
Além da formulação de medidas fiscais, o UBS chama atenção para um ponto frequentemente citado por analistas de mercado: a governabilidade. Não adianta o governo anunciar um pacote de ajuste se não houver articulação suficiente para aprová-lo no Congresso Nacional. Dessa forma, a capacidade de negociação política se torna tão relevante quanto o conteúdo técnico das propostas apresentadas.
Assim, o banco condiciona a melhora da confiança dos investidores a dois fatores combinados: a apresentação de sinais concretos de ajuste fiscal e a demonstração efetiva de que essas medidas têm viabilidade de aprovação legislativa. Na ausência desses dois elementos, a avaliação é de que o mercado deve continuar operando com cautela em relação aos ativos brasileiros.
O que esperar daqui para frente
Em resumo, a leitura do UBS reforça um cenário de espera por parte dos investidores internacionais, que monitoram de perto os próximos passos do governo brasileiro em relação à política fiscal. Apesar da valorização recente dos ativos nacionais, o banco deixa claro que esse movimento não deve ser interpretado como um voto de confiança definitivo, mas sim como um comportamento sujeito a correções caso as expectativas em relação ao ajuste de contas públicas não se concretizem.
Com informações de exame.com.