A healthtech Alice concluiu uma captação de startup no valor de US$ 40 milhões em uma rodada série D liderada pelo IFC, braço de investimentos privados do Banco Mundial. Com o aporte, a empresa passa a mirar a duplicação da receita, chegando a R$ 2 bilhões em 2027.
Além do IFC, participaram da rodada o DEG e o FinnFund, instituições de desenvolvimento ligadas, respectivamente, à Alemanha e à Finlândia. Já investidores que já faziam parte do quadro societário da Alice também completaram o cheque: Kaszek, ThornTree Capital, Next Billion Ventures e Canary.
Detalhes da captação de startup e saída do SoftBank
Essa é a primeira captação em equity da Alice desde a série C de 2022, quando a empresa havia levantado US$ 127 milhões com o SoftBank. Em 2025, a startup ainda levantou uma extensão de US$ 22 milhões em notas, que agora se converteram em equity. No entanto, o grupo japonês ficou de fora dessa nova rodada: vendeu parte de sua posição para a Canary, que ampliou a fatia na empresa, e deixou o conselho da healthtech.
Sobre a saída do fundo, o CEO André Florence explica o movimento:
“Eles estão em uma posição conhecida de desinvestimento no Brasil, e por isso eles decidiram não fazer o follow-on na Alice.”
O executivo associa a decisão à estratégia global do SoftBank de concentrar investimentos em negócios intensivos em inteligência artificial nos Estados Unidos.
Reformulação da operação com foco em IA
A rodada chega após um processo que a própria empresa descreve como uma “refundação” da Alice, com o objetivo de tornar a operadora de planos de saúde nativa em inteligência artificial, ganhando agilidade e reduzindo custos. Por exemplo, o time de programação passou a atuar apenas como revisor de códigos escritos pela própria tecnologia, com uma equipe menor e maior produtividade.
Florence resume o espírito da mudança:
“Estamos em um processo de refundar a cultura da empresa e nos perguntamos: se fundássemos a Alice hoje, como ela seria?”
O CEO soma passagens por Goldman Sachs e Lazard em sua trajetória. Ele fundou a Alice em 2019 ao lado de Matheus Moraes — presidente da 99 até 2018 e atual COO da healthtech — e de Guilherme Azevedo, criador do Dr. Consulta.
Números da empresa e projeções de crescimento
Segundo Florence, que não revela o valuation da startup, a intensa revisão de processos conduzida nos últimos 12 meses já trouxe impacto financeiro positivo. Neste mês, a Alice alcançou R$ 1,2 bilhão em receita recorrente anualizada pela primeira vez, alta de 70% ante 2025, além de superar a marca de 100 mil clientes. A projeção da empresa é atingir R$ 2 bilhões no ano que vem.
Sobre o uso do novo aporte, o CEO afirma:
“Essa rodada é para continuar a nossa estratégia de crescimento. A gente cresce bastante em relação à nossa receita, e isso consome capital.”
Florence garante que todo o caixa gerado é reinvestido na operação, com foco principal na Região Metropolitana de São Paulo, onde a healthtech atende pequenas empresas.
Chatbot com inteligência artificial deve chegar em novembro
Em novembro, a Alice deve lançar a Alice AI, um chatbot pensado para reunir informações dos clientes, responder dúvidas médicas, acessar prontuários, checar rede credenciada e incentivar a realização de exames e idas ao consultório. A ferramenta começará em fase de teste com 10 mil usuários.
A expectativa da empresa é, posteriormente, lançar o chatbot também para usuários fora da base da Alice, funcionando como uma espécie de vitrine para atrair novos clientes. Uma possível monetização, com recursos adicionais mediante assinatura, ainda está em estudo. Ao comentar o projeto, Florence resume o objetivo: “Vamos melhorar o engajamento do usuário com a saúde.”
Com o novo aporte e a reestruturação interna voltada à inteligência artificial, a Alice busca consolidar um modelo mais enxuto e escalável no setor de planos de saúde, apostando que a combinação entre tecnologia e crescimento de receita sustente as metas traçadas para os próximos anos.
Com informações de pipelinevalor.globo.com.