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Disciplina e liberdade: entenda como o compromisso diário molda boas escolhas

Disciplina e liberdade: entenda como o compromisso diário molda boas escolhas
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“A disciplina organiza a liberdade.” A frase, do filósofo Mario Sérgio Cortella, ficou marcada para Vanessa Gordilho, vice-presidente executiva de varejo da Vibra, desde a primeira vez que a ouviu. Para ela, essa ideia resume algo em que sempre acreditou: em um mundo com tantas possibilidades, é justamente a disciplina que permite escolher os caminhos a seguir. A reflexão também ajuda a entender por que disciplina e liberdade, longe de serem opostas, caminham juntas quando o objetivo é transformar intenção em resultado.

Disciplina e liberdade não são rigidez

Segundo Vanessa, não se trata da versão mais conhecida da disciplina, associada a rigidez, sacrifício ou uma coleção de hábitos perfeitos. Na verdade, quando a pessoa sabe exatamente aonde quer chegar, o comprometimento disciplinado faz com que algumas decisões deixem de precisar ser tomadas todos os dias — simplesmente acontecem, sem desgaste de deliberação constante.

Isso não significa que o processo seja fácil. Escolher uma coisa quase sempre implica abrir mão de outra, continuar mesmo depois que o entusiasmo inicial passou, fazer o que precisa ser feito até naquele dia em que a vontade não ajuda. Por isso, ela diz acreditar menos em motivação do que em disciplina: enquanto a motivação oscila, a disciplina permanece.

Cortella usava essa frase para explicar como conseguia realizar tantas atividades ao mesmo tempo. No ambiente corporativo, a lógica se repete: lideranças executivas precisam tomar decisões difíceis praticamente todos os dias e, além disso, precisam se comprometer com essas escolhas para que sejam seguidas pelos times.

O exemplo da liderança influencia o comportamento do time

Há um aspecto da disciplina que chama ainda mais atenção de Vanessa: sua capacidade de influenciar. Um líder disciplinado estabelece um padrão antes mesmo de definir uma meta. Se chega preparado, o time se prepara. Se conhece os números, aprofunda as discussões. Se vai para a rua, visita clientes e pergunta até entender, aos poucos aquele comportamento deixa de ser apenas “o jeito do líder” e passa a ser o jeito do time inteiro. Ninguém precisa pedir que as pessoas acompanhem o ritmo — elas simplesmente percebem e seguem.

Para a executiva, a palavra importa, mas o exemplo importa mais. Discurso pode inspirar, mas é o comportamento repetido que estabelece um padrão real. Essa percepção, aliás, tem respaldo científico.

Joseph Henrich, professor de Biologia Evolutiva Humana em Harvard, estuda como as pessoas escolhem quem observar e imitar. Em uma de suas pesquisas, crianças de três e quatro anos observaram dois adultos, sendo que um deles recebia muito mais atenção das pessoas ao redor. Na hora de escolher quem imitar, as crianças tenderam fortemente a copiar o adulto que tinha sido mais observado pelos outros — fenômeno que os pesquisadores chamam de prestige-biased social learning.

Ou seja, o comportamento alheio funciona como uma pista usada para decidir com quem vale a pena aprender. Vanessa considera essa descoberta fascinante porque ajuda a explicar algo observável no dia a dia: os times estão olhando para seus líderes, assim como os filhos observam os pais.

Disciplina também se ensina em casa

A executiva diz pensar bastante nisso em relação às próprias filhas. Às vezes, elas dizem: “Mãe, você não está em casa.” E ela responde perguntando se elas percebem como a mãe está feliz, e a quantidade de coisas que vem realizando. Segundo Vanessa, as filhas a veem trabalhar, mas, principalmente, percebem que ela gosta de trabalhar — não acorda reclamando da quantidade de tarefas que tem pela frente.

Ela procura mostrar às filhas a quantidade de oportunidades que existem à frente: as pessoas que ainda vão conhecer, os lugares aonde podem chegar. No entanto, não deseja que elas façam as mesmas escolhas que fez, e sim as suas próprias. O ponto central é que elas entendam que escolher algo significa ter a disciplina de se comprometer com essa escolha — e que há muita alegria possível nesse processo.

A repetição é o que transforma

Para Vanessa, o difícil nunca foi fazer algo uma única vez. Uma visita excepcional a um cliente não muda um negócio sozinha. Uma reunião brilhante não transforma um time. Uma corrida isolada não muda a saúde de ninguém. É a repetição, afinal, que produz transformação real.

Ayrton Senna dizia: “Quando se trata de compromisso, esforço, dedicação, não existe meio-termo.” Segundo a executiva, toda escolha exige disciplina para se transformar em compromisso. No fim, talvez seja exatamente isso: escolher uma vez e honrar essa escolha todos os dias. Afinal, como ela resume, a disciplina de uma pessoa pode acabar se tornando a motivação de outra.

Com informações de pipelinevalor.globo.com.

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