Uma possível reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem movimentado as apostas de gestores de recursos sobre o comportamento do dólar frente ao real. Segundo analistas ouvidos pelo mercado financeiro, o cenário mais provável para o primeiro pregão após o resultado das urnas seria de forte valorização da moeda norte-americana, com o rumo da política fiscal determinando se esse movimento se mantém ou perde força nos dias seguintes.
Dólar pode disparar logo no primeiro pregão
De acordo com gestores consultados, a reação inicial do mercado tenderia a ser de alta expressiva do dólar caso Lula seja reeleito. Essa primeira resposta, no entanto, seria mais ligada à incerteza do momento eleitoral do que a uma avaliação definitiva sobre os rumos da economia brasileira. Por isso, o verdadeiro termômetro para saber até onde o dólar pode ir estaria nos sinais que o governo passaria a dar logo depois do pleito em relação às contas públicas.
Ou seja, a disparada inicial seria apenas o primeiro capítulo de uma história que, segundo os especialistas, depende muito mais da trajetória fiscal do que do resultado eleitoral em si. Assim, a sustentação — ou não — desse patamar mais alto da moeda americana estaria diretamente associada à credibilidade das medidas econômicas anunciadas no período pós-eleição.
Rumo fiscal é apontado como fator decisivo
Apesar da expectativa de volatilidade no curto prazo, os gestores destacam que o componente fiscal é o que realmente vai definir se o dólar segue subindo, se estabiliza ou se recua nos meses seguintes. Em outras palavras, o compromisso — ou a falta dele — com o equilíbrio das contas públicas seria o principal termômetro para o mercado precificar o risco país e, consequentemente, o valor da moeda americana.
Esse ponto de vista reforça uma leitura recorrente entre investidores: eventos políticos de grande repercussão, como uma eleição presidencial, costumam provocar reações imediatas e intensas nos mercados, mas a tendência de médio e longo prazo tende a ser moldada por fundamentos econômicos mais concretos, como o nível de endividamento público e a disciplina orçamentária.
O que observar daqui para frente
Diante desse cenário, investidores e empresas que lidam com exposição cambial devem acompanhar de perto os próximos sinais vindos de Brasília, especialmente no que diz respeito à condução da política fiscal. Dessa forma, qualquer indicação de compromisso com o ajuste das contas públicas tende a ser recebida com mais tranquilidade pelo mercado, enquanto sinais de afrouxamento fiscal podem intensificar a pressão sobre o câmbio.
Em resumo, a avaliação dos gestores é de que o primeiro movimento do dólar após uma eventual reeleição de Lula seria forte, mas não necessariamente duradouro. O que vai determinar se a moeda realmente caminha para patamares mais altos — ou se recua depois do susto inicial — é a trajetória que o governo adotar em relação ao equilíbrio fiscal nos meses seguintes ao pleito.
Com informações de exame.com.