“Nunca quis liderar pelo medo e nunca acreditei que falar alto faz de alguém um chef melhor.” A frase é da chef francesa Dominique Crenn, em entrevista ao NeoFeed, e resume boa parte da postura que a tornou uma referência fora dos padrões tradicionais da cozinha de alto nível. Aos 61 anos, Dominique Crenn foi a primeira mulher a conquistar três estrelas Michelin nos Estados Unidos, feito alcançado muito antes de o debate sobre autoritarismo e machismo nas cozinhas profissionais ganhar a visibilidade que tem hoje.
A trajetória de Dominique Crenn contra a cultura do medo
Enquanto grande parte da alta gastronomia historicamente se apoiou em figuras de chefs que comandam suas cozinhas por meio da pressão e da intimidação, Dominique Crenn seguiu outro caminho. Segundo ela, liderar pelo medo nunca fez sentido, tampouco a ideia disseminada de que gritar com a equipe seria sinônimo de exigência ou excelência culinária.
Essa postura, no entanto, não surgiu como resposta a uma tendência recente. Dominique Crenn já questionava esse modelo de gestão muito antes de o tema se tornar pauta central em discussões sobre comportamento e relações de trabalho dentro de restaurantes renomados. Ou seja, sua resistência ao autoritarismo é anterior ao próprio movimento de contestação que hoje expõe práticas abusivas em cozinhas profissionais ao redor do mundo.
Machismo na alta gastronomia e o pioneirismo da chef
O reconhecimento conquistado por Dominique Crenn carrega um peso simbólico importante: ela se tornou a primeira mulher a receber três estrelas Michelin nos Estados Unidos, um universo historicamente dominado por homens. Esse pioneirismo reforça a forma como a chef enxerga a profissão — não como um espaço de imposição e disputa de poder, mas como um ambiente que pode ser conduzido de maneira diferente, sem abrir mão da exigência técnica.
Apesar da resistência que esse tipo de postura ainda encontra em parte do setor, a trajetória de Dominique Crenn mostra que é possível alcançar o mais alto nível de reconhecimento gastronômico sem recorrer aos métodos de liderança baseados em medo e intimidação, tão associados tradicionalmente à alta cozinha.
Em resumo, a fala da chef ao NeoFeed reforça uma mensagem que atravessa sua carreira: a de que autoridade na cozinha não precisa ser confundida com autoritarismo, e que o respeito dentro de uma equipe pode caminhar lado a lado com padrões elevados de qualidade e inovação culinária.
Com informações de neofeed.com.br.