A Keeta, braço internacional da gigante chinesa de delivery Meituan, começou a atender 21 novas cidades nesta terça-feira, retomando um movimento de expansão que havia sido suspenso diante do que a própria companhia descreve como um fechamento do mercado brasileiro por parte de concorrentes. A novidade, no entanto, está na estratégia adotada: em vez de focar nas grandes capitais, a expansão da Keeta prioriza primeiro cidades médias e pequenas do interior do país.
Entre as novas praças estão municípios distantes dos grandes centros onde rivais como iFood e 99 Food já têm presença consolidada. É o caso de Passo Fundo (RS), Criciúma (SC), Toledo (PR), Araçatuba (SP), Governador Valadares (MG), Sinop (MT), Três Lagoas (MS) e Rio Verde (GO), entre outras cidades contempladas na rodada atual. Mato Grosso lidera o número de aberturas, com oito cidades, seguido por Minas Gerais, com quatro.
Expansão da Keeta leva em conta clima, economia e hábitos locais
Segundo a companhia, a escolha das cidades não foi aleatória: considerou-se a diversidade de geografias, climas, economias regionais e até perfis de cozinha local.
“O que miramos agora é entender um pouco mais desse ambiente heterogêneo que eu chamo de ‘o Brasil de verdade’”, afirma Danilo Mansano, vice-presidente da Keeta no Brasil.
Nessas novas cidades, a empresa reproduz o modelo de serviço completo (full-service) já praticado em São Paulo, no qual os restaurantes se cadastram na plataforma e passam a contar com os entregadores parceiros da rede. De acordo com Mansano, esse formato ajuda a acelerar uma transição de comportamento: sair do que ele chama de delivery por indulgência — pedidos ocasionais, geralmente aos fins de semana — para um uso mais frequente, ligado à alimentação do dia a dia, como almoço e jantar em dias úteis, com tíquete médio mais alto.
Primeira saída de São Paulo desde o início da operação
Esta é a primeira vez que a Keeta deixa o território do estado de São Paulo, onde começou suas atividades em outubro de 2025, pelas cidades litorâneas de Santos e São Vicente. Dois meses depois, a companhia chinesa passou a operar na capital paulista e na região metropolitana, somando até então 11 cidades atendidas.
A chegada ao Rio de Janeiro, inicialmente prevista para fevereiro de 2026, acabou sendo cancelada depois que a empresa identificou o que classificou como um mercado fechado a novas entrantes — resultado, segundo a Keeta, de contratos de exclusividade firmados entre a concorrente 99 Food e restaurantes locais.
Na semana passada, porém, o cenário mudou: o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu a favor da Keeta, em ação na qual a empresa buscava impedir judicialmente a formalização desses contratos de exclusividade. A decisão proibiu a 99 Food de aplicar cláusulas de banimento contra restaurantes, sob pena de multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento. Com a vitória judicial, a Keeta retoma agora a abertura de novas cidades sob o que descreve como um cenário visto “com mais clareza”.
“Estávamos dedicando esforços para aquilo que entendíamos como algo fundamental para o mercado de delivery. Por isso, havíamos tomado a decisão de não expandir a companhia em cobertura de cidades”, diz Mansano.
Meta de 80% do território segue de pé, mas sem prazo para capitais
Apesar da nova rota pelo interior, a empresa não abandonou o plano de médio prazo de estar presente em 80% do território brasileiro. A Keeta ainda mira 16 regiões metropolitanas, meta que originalmente previa cumprir em até oito meses de operação no país — prazo que, até agora, não se concretizou. Dessa forma, a companhia optou por não divulgar um novo prazo para chegar às grandes capitais, onde disputa espaço com iFood, 99 Food e Rappi.
O movimento de avanços e recuos da Keeta ocorre após a controladora Meituan, maior empresa de delivery do mundo, anunciar um investimento de R$ 5,6 bilhões para estruturar a operação da marca no Brasil até 2030. Segundo Mansano, “nem 20% desse valor foi gasto até hoje”, o que, na avaliação do executivo, indica um retorno sobre investimento mais favorável assim que as incertezas regulatórias forem superadas.
“Para nós, 2027 vai ser um ano de forte expansão”, projeta o executivo, que já passou por empresas de transporte como 99, Mara e Grow. Por ora, a aposta da companhia é consolidar presença no interior do país — incluindo cidades catarinenses como Criciúma — antes de voltar a disputar diretamente os grandes centros urbanos.
Com informações de pipelinevalor.globo.com.