A gestora Möbius e a Desenvolve SP, agência de fomento do governo paulista, estruturaram um fundo de R$ 70 milhões voltado a investimentos em data centers e em infraestrutura de internet para municípios do interior de São Paulo. A iniciativa reúne capital público e privado com o objetivo de ampliar a conectividade em regiões ainda carentes desse tipo de serviço.
Como funciona o fundo de data centers
De acordo com as informações divulgadas, o governo paulista entra com R$ 50 milhões dos R$ 70 milhões totais do fundo, por meio da Desenvolve SP. O restante do aporte fica sob responsabilidade da gestora Möbius, que também assume um papel diferenciado na estrutura: é ela quem absorve as perdas iniciais do FDIC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) utilizado na operação.
Essa divisão de riscos é um ponto central da modelagem financeira do fundo. Ao concentrar o impacto de eventuais perdas iniciais sobre o capital da gestora, a estrutura busca dar mais segurança ao recurso público investido pela Desenvolve SP, tornando o instrumento mais atrativo tanto para o Estado quanto para outros investidores que possam vir a participar da iniciativa.
Foco em data centers e conectividade no interior
O direcionamento dos recursos para data centers reflete a crescente demanda por infraestrutura digital no país, impulsionada pelo avanço de serviços em nuvem, inteligência artificial e armazenamento de dados. Ao mesmo tempo, o fundo também mira a expansão da internet em cidades do interior paulista, área em que o acesso à conectividade ainda apresenta lacunas em comparação com os grandes centros urbanos.
Dessa forma, a proposta combina dois eixos complementares: de um lado, o investimento em ativos de tecnologia de ponta, como os data centers; de outro, a melhoria de serviços básicos de internet para a população e as empresas instaladas fora da capital e da região metropolitana de São Paulo.
Parceria entre setor público e gestora privada
A parceria entre a Möbius e a Desenvolve SP ilustra um modelo em que o poder público participa do financiamento de projetos estratégicos sem assumir sozinho os riscos financeiros envolvidos. Com a gestora privada absorvendo as perdas iniciais do FDIC, o governo paulista consegue direcionar recursos a um setor considerado prioritário — o de infraestrutura digital — com uma camada adicional de proteção ao dinheiro público aplicado.
Em resumo, o fundo de R$ 70 milhões se soma a um movimento mais amplo de fomento à economia digital no estado de São Paulo, unindo capital estatal e gestão privada especializada para viabilizar projetos que, de outra forma, poderiam enfrentar mais dificuldade para sair do papel, especialmente em regiões menos atendidas pelo mercado de telecomunicações e tecnologia.
Com informações de exame.com.