Quem vencer a disputa presidencial herdará uma pauta extensa e complexa na área de infraestrutura no Brasil logo no primeiro ano de governo. O motivo é simples: os projetos mais atrativos, aqueles com retorno financeiro mais evidente, já foram leiloados em setores como rodovias, saneamento e aeroportos. Com isso, o próximo mandatário terá pela frente a missão de seduzir investidores para empreendimentos com viabilidade econômica mais apertada — ou seja, sem os chamados “filés” que costumam facilitar a adesão do mercado.
Infraestrutura no Brasil exige esforço redobrado para atrair capital
Nos segmentos de rodovias, saneamento e aeroportos, a tendência é que a disputa por investidores se torne mais trabalhosa daqui em diante. Isso porque boa parte dos contratos mais rentáveis e de execução mais simples já está nas mãos de operadores privados, restando ao poder público oferecer ativos que demandam engenharia financeira mais sofisticada para se tornarem interessantes.
Já no caso das ferrovias e dos portos, o desafio assume outra forma: não se trata de atrair capital, mas de destravar uma agenda que, por diferentes razões, segue represada. Dessa maneira, o novo governo precisará equilibrar frentes distintas — de um lado, convencer o mercado a embarcar em projetos menos óbvios; de outro, desatar nós regulatórios e burocráticos que travam iniciativas já maduras.
Setores em situações distintas dentro da infraestrutura
A fotografia atual da infraestrutura no Brasil mostra, portanto, um cenário de duas velocidades. Enquanto rodovias, saneamento e aeroportos já passaram pela etapa de concessões mais simples e agora dependem de maior apelo a investidores, ferrovias e portos carregam um gargalo de outra natureza: a necessidade de destravamento institucional e administrativo para que projetos avancem.
Essa divisão de desafios reforça a complexidade do cenário que aguarda quem assumir a Presidência. Afinal, não basta apenas lançar novos editais ou atualizar marcos regulatórios — será preciso costurar soluções específicas para cada modal, considerando que as barreiras não são as mesmas em todos os setores.
O que esperar do próximo ano de governo
Em resumo, a pauta de infraestrutura que chega às mãos do próximo presidente é extensa, bilionária em volume de projetos, mas também mais delicada do ponto de vista da atratividade. Sem os ativos mais disputados disponíveis, a atração de investidores para rodovias, saneamento e aeroportos exigirá esforço adicional de modelagem e negociação. Ao mesmo tempo, ferrovias e portos aguardam decisões que destravem iniciativas já em andamento, mas paradas por entraves diversos.
Diante desse quadro, o primeiro ano de mandato tende a ser decisivo para sinalizar ao mercado qual será o ritmo e a prioridade dada à infraestrutura no Brasil nos anos seguintes.
Com informações de neofeed.com.br.