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Itaú compra NeoSpace: banco paga R$ 2,9 bi por startup de IA fundacional — entenda o negócio

Itaú compra NeoSpace: banco paga R$ 2,9 bi por startup de IA fundacional — entenda o negócio
RESUMIR COM:

O Itaú Unibanco assinou nesta segunda-feira, 26, o contrato para adquirir a totalidade das ações da NeoSpace, startup brasileira especializada no desenvolvimento de modelos fundacionais de inteligência artificial treinados em grandes bases de dados. A compra da NeoSpace foi fechada por R$ 2,925 bilhões, valor que será pago em parte no fechamento do negócio e o restante distribuído ao longo de cinco anos, sujeito a determinadas condições.

A transação foi informada ao mercado por meio de fato relevante e ainda precisa passar pelo crivo do Cade e do Banco Central antes de ser efetivada. O banco, por sua vez, não revelou qual será o valor da primeira parcela nem estabeleceu um prazo para a conclusão da operação.

Como surgiu a parceria que resultou na compra da NeoSpace

Na verdade, o acordo apenas formaliza uma relação que já vinha se construindo há algum tempo. Em janeiro de 2025, o Itaú havia liderado uma rodada de investimento de US$ 18 milhões na NeoSpace, aportando US$ 15 milhões e ficando com 15% do capital da empresa. Na ocasião, as duas companhias também firmaram um acordo comercial voltado ao desenvolvimento de produtos de inteligência artificial para as plataformas digitais do banco.

Desde então, a startup vem treinando seus modelos com dados do próprio Itaú, aplicados em áreas como crédito, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes. Além disso, essa tecnologia deve alimentar o ia.i, o assistente de inteligência artificial generativa que o banco começou a disponibilizar no aplicativo neste ano.

Os laços entre as partes, porém, são ainda mais antigos do que a própria startup. Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs, fundadores da NeoSpace, foram também os criadores da Zup, empresa de tecnologia cujo controle o Itaú havia adquirido em 2020. Já a NeoSpace foi fundada no fim de 2023, em Uberlândia (MG), e Pierobon permanece como CEO mesmo após a venda ao banco.

Negociação avançava com avaliação bilionária

O cheque do Itaú foi assinado justamente no momento em que a NeoSpace negociava uma nova rodada de investimento de até US$ 250 milhões, a uma avaliação de US$ 1,25 bilhão. Os recursos dessa captação seriam destinados à expansão da startup para os Estados Unidos. Antes da venda, a empresa projetava fechar 2026 com faturamento próximo de R$ 300 milhões e operação já lucrativa.

O cheque do Itaú foi assinado justamente no momento em que a…O cheque do Itaú foi assinado justamente no momento em que a…

De acordo com o comunicado da operação, a NeoSpace manterá gestão e operação autônomas, preservando a equipe atual. Na prática, no entanto, a tendência é que a startup passe a trabalhar exclusivamente para o banco: após as aprovações regulatórias, ela deverá entregar e encerrar os contratos mantidos com outros clientes.

A aquisição é uma aposta para colocar o banco “entre as instituições que vão definir o próximo capítulo da indústria financeira global”, afirmou o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho.

O Itaú não divulgou estimativas de ganho financeiro com a operação. Ainda assim, o valor pago pela NeoSpace é relativamente pequeno diante do porte do comprador: o banco lucrou R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, com retorno sobre o patrimônio de 24,3%, e deve divulgar o balanço do terceiro trimestre em 3 de novembro. Vale lembrar que, em agosto, a instituição já havia reduzido para a faixa de 2% a 5% a projeção de alta das receitas de serviços e seguros em 2026.

Itaú fecha segundo negócio bilionário em duas semanas

A compra da NeoSpace representa o segundo negócio bilionário fechado pelo Itaú em menos de duas semanas. Em 15 de outubro, o banco havia aportado R$ 1,77 bilhão na Eneva III, subsidiária da Eneva que concentra operações no Maranhão, por meio da subscrição de ações preferenciais com voto restrito.

Na prática, essa estrutura funciona como uma espécie de financiamento. A Eneva segue detendo todas as ações ordinárias e tem opção de recomprar os papéis do banco entre 2031 e 2032. Os recursos dessa operação serão destinados à térmica Azulão II, no Amazonas, e a projetos vinculados ao leilão de capacidade — o Itaú, aliás, já havia realizado movimento semelhante com a Energisa, no valor de R$ 1,4 bilhão.

Ainda no fim de 2025, o banco exerceu uma opção prevista em contrato firmado em 2022 e elevou para 50,1% sua participação na Avenue, corretora americana voltada a investidores brasileiros. Desde o primeiro trimestre de 2026, o resultado da Avenue passou a ser consolidado no balanço do Itaú.

Por outro lado, o portfólio do banco também registrou saídas recentes. Em 31 de julho, o Itaú concluiu a transferência de sua operação na Colômbia, negócio que ainda deve gerar despesas extraordinárias até o fim do ano.

Em resumo, o desenho adotado na compra da NeoSpace repete o modelo já usado na Avenue, cuja gestão ficou separada da do banco após a troca de controle. A diferença está no destino da tecnologia: enquanto a corretora segue atendendo o mercado de forma ampla, a startup de inteligência artificial tende a se transformar em uma operação de uso exclusivo do Itaú.

Com informações de capitalaberto.com.br.

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