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Itaú na Prisma Capital: entenda a entrada via aporte primário e a etapa no Uruguai

Itaú na Prisma Capital: entenda a entrada via aporte primário e a etapa no Uruguai
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O Itaú Unibanco vai assumir uma fatia de 35% na Prisma Capital usando exclusivamente dinheiro novo, sem adquirir ações de nenhum dos sócios atuais. Na prática, o aporte na Prisma Capital será feito por meio de subscrição de ações preferenciais e terá, ainda, uma segunda etapa fora do Brasil, dentro de uma sociedade que os fundadores da gestora ainda vão criar no Uruguai.

O acordo de investimento foi assinado em 5 de outubro e tornado público nove dias depois, sem que os valores envolvidos fossem divulgados. Fundada em 2017 por Marcelo Hallack, João Mendes e Lucas Canhoto, a Prisma Capital afirma ter cerca de R$ 28 bilhões sob gestão, além de mais de R$ 14 bilhões já investidos em 120 transações.

O desenho da operação deixa claro o que o banco está comprando — e, igualmente importante, o que fica de fora do negócio.

Como o Itaú entra na Prisma Capital

No Brasil, as ações da Prisma Capital Control Participação, holding do grupo, ficarão sob controle da Itaú BBA Assessoria Financeira. Já a participação na futura Prisma Uruguai, estrutura criada após a reorganização dos negócios offshore da gestora, será detida pela ITB Holding Brasil Participações.

Vale destacar que os papéis adquiridos pelo banco não dão direito a voto, de modo que os fundadores mantêm integralmente as ações ordinárias. Em contrapartida, o Itaú terá vetos específicos para resguardar o investimento, conforme previsto em um acordo de acionistas que passa a valer no fechamento da operação.

É justamente nessa linha entre proteção contratual e influência direta que o arranjo tende a ser testado adiante. Isso porque o banco não terá assento nos comitês de investimento dos fundos, e a gestão da casa continua nas mãos das equipes atuais. O fechamento da entrada no Brasil ainda depende de aval do Banco Central, enquanto a etapa uruguaia dispensa esse tipo de aprovação local.

Capital ao lado dos cotistas

A forma como os recursos serão usados ajuda a explicar a escolha pela via primária em vez da compra de participações existentes. O dinheiro do aporte vai financiar investimentos proprietários dentro das próprias estratégias da gestora, o que amplia a capacidade da casa de colocar capital próprio lado a lado com os clientes.

A forma como os recursos serão usados ajuda a explicar a escolha…A forma como os recursos serão usados ajuda a explicar a escolha…

Segundo Hallack, a Prisma Capital precisava tanto de capital adicional quanto de um sócio de longo prazo. Parte dos recursos, aliás, deve ser destinada à criação ou aquisição de plataformas responsáveis por originar ativos para os fundos, reduzindo assim a dependência de originação feita por terceiros.

Essa estratégia reflete uma mudança mais ampla no comportamento dos bancos. Com os juros altos e novas normas contábeis pressionando o capital das instituições, elas passaram a reciclar mais ativos — e é justamente dessa oferta que vivem as gestoras especializadas em situações especiais.

O aporte do Itaú se soma, ainda, a uma captação recente da gestora: em janeiro, a Prisma Capital levantou R$ 1,8 bilhão para seu terceiro fundo, com uma base de cotistas formada por instituições locais, estrangeiras e family offices. No entanto, o tamanho total da casa varia bastante dependendo de como esse número é calculado.

Por trás dos R$ 28 bilhões sob gestão

De acordo com o ranking de gestão da ANBIMA referente a agosto, as seis gestoras do grupo somam, juntas, R$ 13,7 bilhões, o equivalente a 0,121% do mercado nacional. Ao incluir a Polígono Capital — criada em 2023 em joint venture com a BTG Pactual Asset, da qual a Prisma Capital detém o co-controle —, esse total sobe para R$ 24,8 bilhões.

A maior unidade do grupo é a Prisma Oil&Gas, com R$ 5,6 bilhões, braço ligado ao setor de energia por meio do qual a gestora assumiu o controle da Dommo, antiga OGX, em 2022. Já a Prisma Previdência, focada em fundos de pensão fechados, não registrava recursos sob gestão até o fim de 2025.

Do lado do banco, Itaú Asset e Kinea somam, juntas, R$ 1,55 trilhão, ou 13,6% do mercado, atrás apenas da BB Asset, com 17,3%. Mesmo somando toda a estrutura da Prisma e da Polígono a esse montante, a fatia combinada chegaria a 13,9%, com uma alta de seis pontos no índice HHI, usado para medir concentração de mercado.

Relação comercial entre as partes

Como o efeito sobre a concentração de mercado é considerado residual, a atenção do mercado se volta mais para a cadeia de serviços envolvida no negócio. O Itaú oferece administração fiduciária, custódia, corretagem, crédito e distribuição — todos serviços que os fundos da Prisma Capital poderão contratar junto ao banco.

A entrada na gestora, aliás, se encaixa em uma frente mais ampla do Itaú voltada a ativos privados. A Itaú Asset vem ampliando sua carteira nesse segmento, e o Itaú BBA chegou a criar uma área de properties integrada à gestora do grupo.

Hallack afirmou que a Prisma Capital seguirá fazendo negócios com todos os bancos, não apenas com o novo sócio. Dessa forma, a separação entre o papel de sócio minoritário e o de prestador de serviços só poderá ser medida à medida que o capital novo for efetivamente aplicado pela gestora.

Com informações de capitalaberto.com.br.

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