A petroquímica Braskem informou neste sábado que as propostas apresentadas tanto pela companhia quanto pelos credores foram rejeitadas por ambas as partes. Ou seja, o impasse na recuperação extrajudicial da Braskem segue sem desfecho, e as negociações agora foram prorrogadas até o dia 30 de outubro.
De acordo com as informações divulgadas, a empresa apresentou sua proposta na sexta-feira e, já no sábado seguinte, recebeu a contraproposta dos investidores. Os materiais relativos às duas ofertas só vieram a público no fim do sábado, após o encerramento dos acordos de confidencialidade firmados entre a Braskem e determinados detentores e gestores de títulos de dívida da companhia.
Os pontos de divergência na recuperação extrajudicial da Braskem
O principal entrave entre as partes está na estrutura de capitalização e na forma de tratamento da dívida. Pela proposta da Braskem, está prevista uma oferta de ações no valor de US$ 2,25 bilhões, com garantia de subscrição de US$ 1,2 bilhão por parte dos acionistas controladores ou de terceiros, além da conversão imediata de até US$ 2,8 bilhões em dívidas em participações acionárias.
Já os credores apresentaram uma contraproposta diferente: elevar a garantia de subscrição para US$ 1,85 bilhão e, em contrapartida, reduzir a conversão imediata de dívida em ações para US$ 1,85 bilhão. Além disso, o texto dos credores estabelece que eventuais investidores terceiros responsáveis por garantir a oferta — que não sejam os próprios controladores — precisariam ser aprovados pelos credores.
Apesar do impasse, uma reportagem do Valor apurou que, mesmo sem acordo fechado, há um avanço paralelo: a Petrobras sinaliza disposição para um aporte na companhia.
Divergências também sobre garantias e prazos de pagamento
As duas propostas também não convergem quanto ao tratamento de parte dos créditos, às garantias oferecidas e às condições de pagamento da dívida reestruturada. A Braskem propõe manter uma linha de crédito comercial de US$ 470 milhões por três anos, com vigência até junho de 2029. Os credores, por sua vez, deixaram em aberto o tratamento dessa linha específica.
Mesmo sem consenso sobre o plano completo, os acionistas vêm se aproximando aos poucos de um entendimento que contempla o compromisso de um aporte da Petrobras e a conversão de dívidas em participação acionária ainda neste ano, segundo apurou o Valor.
Projeções financeiras vão até 2035
Além das discussões sobre a estrutura de capital, a Braskem também divulgou projeções financeiras que contemplam cenários até 2035, com estimativas de receita, margens, investimentos e geração de caixa. No chamado “cenário status quo”, que considera a manutenção da estrutura atual da companhia, a Braskem estima receita líquida de US$ 14,2 bilhões em 2026, chegando a US$ 18 bilhões em 2035.
De acordo com as projeções, o Ebitda passaria de US$ 1,46 bilhão para US$ 2,76 bilhões nesse mesmo período, enquanto a margem Ebitda subiria de 10,3% para 15,3%. Já o consumo de caixa está estimado em US$ 1,9 bilhão em 2027 e US$ 1,3 bilhão em 2030.
Com o prazo agora estendido até 30 de outubro, as próximas semanas devem ser decisivas para que Braskem e credores consigam destravar um acordo definitivo sobre a reestruturação da dívida bilionária da companhia.
Com informações de pipelinevalor.globo.com.