O Brasil viveu um pleito tenso e marcado por instabilidade na apuração dos votos, mas o resultado final trouxe a reeleição do presidente Lula para um inédito quarto mandato. A margem de vitória sobre o candidato Flávio Bolsonaro — que liderava as pesquisas e havia saído na frente no primeiro turno — foi apertada, refletindo o grau de disputa entre os dois projetos políticos.
Ao longo do dia de apuração, essa indefinição ficou evidente até mesmo nos mercados de apostas: no Polymarket, plataforma que serve como termômetro para investidores, a posição entre os dois candidatos se alternou de forma frenética conforme os votos eram contabilizados. Já no período após o anúncio do resultado, o reflexo chegou às bolsas americanas, com o EWZ — fundo que replica ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos — chegando a cair 18% no after market.
Reeleição de Lula exige esforço de unificação, diz banqueiro
Diante desse cenário de reeleição de Lula em um país dividido, o banqueiro Ricardo Lacerda, CEO do BR Partners, avalia que o principal teste do novo mandato será costurar pontes com o eleitorado que não optou por ele nas urnas. Segundo Lacerda, não bastará apenas vencer: será preciso articular apoio amplo para viabilizar a governabilidade.
“Seu primeiro desafio será unir o país. Será preciso construir uma saída com toda a sociedade e o congresso.”
Na leitura do banqueiro, o resultado das urnas não deixa dúvidas sobre a dimensão da virada protagonizada pelo presidente reeleito. Por isso, ele descreve o desfecho da eleição como um episódio histórico dentro da trajetória política recente do país.
“Lula arquitetou uma virada histórica, contundente e inquestionável. Os mercados devem ter uma correção num primeiro momento. Mas é importante salientar que os desafios fiscais são os mesmos em qualquer governo e Lula estará muito mais empenhado em criar condições para a redução de juros.”
Expectativa de ajuste nos mercados após a eleição
De acordo com Lacerda, a reação inicial do mercado financeiro tende a ser de ajuste, dado o susto provocado pela apuração instável e pela queda registrada pelo EWZ logo após o anúncio do vencedor. Ainda assim, ele pondera que os entraves fiscais que o país enfrenta não são exclusividade de uma gestão específica, mas sim um desafio estrutural que acompanharia qualquer presidente eleito.
Dessa forma, o banqueiro aposta que o governo recém-reeleito terá motivação redobrada para destravar condições que permitam uma trajetória de queda nos juros — um fator historicamente observado de perto por investidores e por quem acompanha o comportamento do Ibovespa e dos ativos brasileiros no exterior.
Em resumo, a visão de Lacerda aponta para um cenário de volatilidade de curto prazo, à medida que os agentes econômicos digerem a disputa apertada e o processo de apuração turbulento. No entanto, ele reforça que a prioridade do momento, do ponto de vista político, é a reconstrução de pontes entre os diferentes campos que disputaram a eleição, já que a margem reduzida de vitória evidencia um país ainda profundamente dividido.
Com informações de pipelinevalor.globo.com.