A Terloc, braço de armazenagem do Grupo Cesari, fechou acordo para adquirir 100% das quotas da Set Port Logística, da Set Terminais e da Agrobulk, todas controladas pela Set Participações. A operação une dois operadores de granéis sólidos minerais que já atuavam lado a lado no Porto de Santos, com atuação concentrada em fertilizantes. O valor da transação não foi divulgado.
O movimento acontece em um cenário de contrastes para o corredor santista. Segundo a Conab, o Brasil importou um recorde de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025. Ainda assim, o volume desembarcado especificamente em Santos recuou 5,18%, somando 8,42 milhões de toneladas. Ou seja, com menos carga disputada por um número maior de operadores, a escala de atuação passou a ser decisiva para preservar margens no setor de fertilizantes.
O que a Terloc incorpora em Santos
A Set iniciou suas atividades em 2019, operando no cais público do Porto de Santos, e em 2022 expandiu o negócio com uma frente de armazenagem em Cubatão. Desde então, o grupo descarrega fertilizantes e sal a granel destinados a importadores de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, além de movimentar sacarias e big bags de fertilizantes especiais.
De acordo com a empresa, o terminal localizado no polo industrial ocupa 50 mil metros quadrados e tem capacidade estática de 200 mil toneladas. Já a Agrobulk, terceira empresa incluída no pacote, foi criada para operar outros tipos de carga, mas não registrou atividade em 2025. Com a venda, os sócios da Set deixam completamente o negócio, e o contrato fechado não prevê cláusula de não concorrência.
Do lado comprador, a estrutura é consideravelmente mais robusta. O Grupo Cesari, que tem mais de 60 anos de atuação, reúne cerca de dez empresas, enquanto a Terloc opera sete bases licenciadas, concentradas principalmente em Cubatão e em Barcarena, no Pará. Em 2026, a companhia já havia incorporado a Comportce, responsável por suas operações portuárias em Santos — e é justamente nessa frente que as atividades das duas empresas se sobrepõem.
Armazenagem é o foco da aposta no Porto de Santos
A sobreposição entre as operações aparece em duas frentes de negócio: movimentação portuária e armazenagem de granéis sólidos. Para efeito de comparação, o complexo santista movimentou 94,5 milhões de toneladas de granéis sólidos em 2025, dos quais 12,3 milhões tiveram origem mineral — justamente o recorte em que as duas empresas concentram suas operações.


Pelos cálculos apresentados pelas próprias empresas, a fatia conjunta do negócio fica abaixo de 20% em todos os cenários analisados, inclusive no mais restrito, que é o de granéis minerais em Santos. No segmento de armazenagem, o mercado paulista soma 12,4 milhões de toneladas de capacidade estática, e a participação combinada das duas empresas também não ultrapassa esse patamar. Os percentuais exatos, no entanto, não foram divulgados.
Vale lembrar que o recorte mineral é relativamente estreito diante do total movimentado pelo Porto de Santos, hoje dominado pelo complexo de soja, que somou 44,9 milhões de toneladas em 2025. Como poucos terminais disputam a descarga de fertilizantes e sal, cada navio perdido para a concorrência acaba pesando de forma significativa no resultado final.
Apesar disso, a receita da compradora aponta para outra direção estratégica. A movimentação portuária representa uma parcela reduzida do faturamento do Grupo Cesari, enquanto a armazenagem está entre suas principais fontes de receita. É justamente essa atividade que os armazéns de retroárea da Set vêm reforçar.
Concorrência se intensifica no setor de fertilizantes
As empresas envolvidas na transação defendem que um terminal voltado a granel mineral pode passar a operar também com granel vegetal apenas com a construção ou locação de silos adicionais. O argumento amplia, na prática, o mercado de referência considerado, mas contrasta com a lógica usual do setor, que costuma segmentar terminais conforme a natureza da carga — justamente por causa da especialização dos equipamentos exigidos.
A disputa por importadores de fertilizantes já é concreta no Porto de Santos. Usiminas, VLI, Termag, Hidrovias do Brasil e Rodrimar figuram entre os principais concorrentes do setor. Inclusive, a Usiminas realizou em novembro de 2025 a primeira descarga de fertilizantes em seu terminal privativo de Cubatão, com 11,8 mil toneladas destinadas à Yara.
Essa pressão competitiva tende a aumentar ainda mais com a chegada do terminal da Rumo na área da DP World, na margem esquerda do porto. O projeto, orçado em R$ 2,5 bilhões, prevê capacidade para 3,5 milhões de toneladas de fertilizantes por ano e obteve em agosto o aval da Antaq para emissão de debêntures incentivadas.
Com escala maior, a Terloc aposta em automação e expansão de capacidade para diluir custos fixos.
Diante desse cenário, o retorno do investimento vai depender diretamente da velocidade de integração entre as operações da Terloc e da Set, especialmente antes que a nova oferta de capacidade entre em funcionamento e redesenhe por completo a disputa por importadores de fertilizantes no Porto de Santos.
Com informações de capitalaberto.com.br.